A musicalização é o processo de alfabetização musical. Assim como a alfabetização bem feita é decisiva para todo o desenvolvimento verbal posterior, também a musicalização é fator determinante no processo de desenvolvimento musical.  
 

Christiana Leandro professora do Centro de Educação Musical Rosa Mística tem um método de musicalização no teclado, o qual usa os recursos deste instrumento pós moderno para a alfabetização musical em termos de ritmos, timbres e andamentos. O teclado por ser resistente pode ser manuseado por crianças e até mesmo colocado no chão para musicalização de bebês.
 

No Centro de Educação Musical Rosa Mística foi criado um método de musicalização por cores. Bom até para adultos, mas preferencialmente usado com crianças normais até 9 anos e passível de adaptação para crianças oligofrênicas. Foi aplicado a crianças com Sindrome de Down durante os anos de 1998 a 2000, com sucesso. Uma menina de 11 anos com idade mental de 4 anos conseguia identificar do fa 2 ao sol 3 e tocar diferenciando semínimas e mínimas. A menina compunha e tocou na audição uma peça de sua autoria.
 

Explicando melhor este processo de musicalização: primeiramente é feito um trabalho de reconhecimento das qualidades do som fora do instrumento e um trabalho de ritmo com instrumentos de percussão e expressão corporal. Com cores, a musicalicação pode ser feita em qualquer instrumento, mas os instrumentos de afinação fixa são mais eficazes. Primeiramente a professora mostra os grupos de duas e três teclas pretas (como M. de Lourdes Junqueira) até a criança ser capaz de achar as notas no piano através deste ponto de referência (o dó fica antes do grupo de duas teclas pretas). Em seguida a criança aprende a encontrar todas as notas, sem saber da grafia ainda. A seguir a professora apresenta a pauta de 11 linhas com clave de sol e de fá com notas que vão do fa 2 até o sol 3. As notas são coloridas como também as claves e no piano são colocados adesivos coloridos. A clave de é laranja e a clave de sol é amarela. Na musicalização no teclado ou no violino, trabalha-se só a clave de sol. Associa-se o sol ao amarelo, o ao laranja, o mi ao azul, o re ao verde, o do ao vermelho, o si ao marron e o la ao cor de rosa.  
 

As partituras são grandes e feitas especialmente para cada aluno. Conforme surgem as dificuldades, várias músicas são compostas especialmente de acordo com a necessidade e ritmo de aprendizagem de cada aluno em especial. O aprendiz é convidado também a compor suas músicas, escolher o nome da peça e ilustrá-la.
 

A seguir, os símbolos musicais vão diminuindo de tamanho até chegar ao tamanho das notas do livro infantil. A partir daí, as crianças começam a trabalhar as mesmas peças do livro, porém feitas no computador e coloridas. Mais tarde, os mesmos estudos são feitos com o livro em preto e branco. Assim, aos poucos a criança vai identificando os sons pela altura na pauta, sem necessidade de colorir.  
 

Mais tarde, as cores são usadas para a intensidade. As crianças associam o vermelho ao forte, o laranja ao meio forte, o verde ao meio piano e o azul ao piano. Assim, muitas vezes pinta-se a partitura para lembrar da dinâmica.  
 

As cores continuam a ser usadas para conscientizar da estrutura da peça. Se a peça tem a estrutura ABACA, por exemplo, toda a parte A é pintada da mesma cor para facilitar a memorização. As crianças pintam a partitura para melhor entendê-la e desta forma fazem análise de estrutura desde pequenas conseguindo assim um desempenho de primeira linha, com diferenciação sonora, ecos e memorização inteligente desde o início, o que é fundamental para todo o desenvolvimento e independência posteriores. Esta iniciação musical determina toda a postura do intérprete diante do instrumento para o resto de sua carreira.
 

A musicalização pode ser realizada até mesmo antes do bebê nascer. Existem estudos que mostram a eficiência do ato de ouvir música no ventre da mãe em relação ao desenvolvimento musical posterior. O curso envolvendo gestantes é mais ligado à musicoterapia do que ao ensino da música em si. Geralmente as sessões são feitas durante uma hora semanal em que as mães fazem um relaxamento com música.  
 

Além do relaxamento, o canto é uma forma de harmonizar as mães. Os cantos escolhidos são cantigas de ninar. Através do canto que a mãe vai praticar em casa, a criança já entra em sintonia com a voz afável de sua mãe. Além das aulas em grupo, as mães podem fazer sessões individuais em que aprendem a conversar com o bebê mesmo antes dele nascer. Aprendem também a ouvir músicas em intensidade fraca junto com o bebê. Os compositores favoritos para este trabalho são Haydn, Mozart, Scarlatti e Vivaldi.
 

Os professores para este trabalho poderão ser escolhidos de preferência entre musicoterapeutas. O trabalho pode ser iniciado três meses após o início da gestação. Além do trabalho de harmonização através dos sons, há ainda a vantagem das mães se relacionarem com outras mães em situação semelhante. É uma fase em que a mulher sente-se extremamente vulnerável devido ao parto que se aproxima e todas as angústias decorrentes deste período que são compartilhadas surgindo uma solidariedade de sentimentos que é benéfica.
 

Após o nascimento, as sessões continuam quando o bebê tem aproximadamente um mês e meio. As sessões continuam semelhantes às primeiras até a criança completar 4 meses. A partir daí, as estratégias mudam. As sessões podem passar para duas semanais com 30 minutos cada. Os bebês com suas mães são colocados sobre um tapete forrado com tecido para evitar problemas com alergia. Sobre o tapete forrado são colocados instrumentos, os mais variados, um tipo de cada vez, em quantidade igual ao número de crianças. Esses instrumentos devem estar impecavelmente limpos para o início de cada aula. As mães sentam-se em roda e as crianças no centro. Elas mostram os instrumentos para que as crianças manipulem.   Podem ser colocados teclados. As mães cantam com os filhos no colo, cantigas de ninar e fazem sessões de relaxamento junto com as crianças.
 
Depois do bebê completar um ano, outra atividade é a união das artes. Ouvindo Haydn ou Mozart todos rabiscam sobre folhas em branco. As crianças desenvolvem assim a coordenação.
 

Os instrumentos podem ser feitos com sucata: garrafas de coca cola transformam-se em cocos, garrafa de água mineral em reco-reco e assim por diante. Os professores tocam para as crianças e mães. O canto ainda é uma das principais atividades nesta fase sempre com ênfase nos cantos folclóricos.
 
O objetivo nesta etapa é possibilitar a prática da coordenação motora, a manipulação dos instrumentos e a socialização da criança.
 
Atividades:  
 
- Apreciar o canto das mães
- Bater objetos uns nos outros
- Bater objetos no chão
- Rolar objetos de criança para criança
- Mostrar com gestos as partes do corpo
- Estimular a coordenação motora dos membros inferiores com marchas e danças (para crianças que já andam)
- Ensinar a juntar o material ao fim da aula
 

A musicalização de crianças entre dois e cinco anos também pode ser feita no chão sobre tapete forrado. Além dos objetivos da primeira etapa que devem ser reforçados há ainda o objetivo passar as brincadeiras e cantos folclóricos.
 
Atividades sugeridas:
 
- Tocar num instrumento sons graves e agudos para identificação
- Solicitar que distingam entre rápido e lento
- Incentivar a acompanhar uma música com palmas para desenvolver o pulso
- Desenvolver o senso de lateralidade: direita,  esquerda, em cima e embaixo
- Contar histórias com música
- Promover brincadeiras folclóricas como roda, passa passa gavião e outras
- Imitar bichos com sons e gestos
- Conscientizar dos acentos na palavra falada e cantada
- Fazer ditado de ritmos e timbres no teclado
 

O adulto também tem necessidade de iniciar seu processo de musicalicação através de vivências, sentindo os ritmos, escutando e identificando melodias. Mesmo no caso do adulto seguir a ordem: primeiro sentir e vivenciar para depois conhecer. No caso do adulto a fase do concreto e das vivências toma menos tempo e ele já pode ingressar no estudo de um instrumento em paralelo com aulas de composição e apreciação. Se não há condição de realizar a apreciação em grupo, pode-se emprestar discos para que ouçam e comentem na aula seguinte. Também com adulto é interessante incentivar a leitura de obras sobre História da Música. Assim surge o gosto por tudo que se refere à arte dos sons.
 

O adulto que compõe e escreve a partitura é mais musicalizado e tem mais consciência dos padrões rítmicos. Desta forma a improvisação e composição devem ser incentivadas bem como a apreciação através de idas a recitais e concertos.
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